sobre o projeto

O Projeto Descendentes em Ação propõe construir de maneira colaborativa uma Webdocumentário sobre a realidades histórica e social de um grupo de 30 jovens da comunidade de lagoa do Zeca, no município de Canarana (BA). A partir de uma abordagem participativa, o projeto visa mobilizar os Jovens quilombolas para a produção comunicacional em questão. Nesse sentido, o grupo será capacitado em conceitos básicos da produção audiovisual e Webdocumentário, desenvolvendo, de maneira transversal, atividades de formação para valorização da luta e história quilombola. Trata-se, portanto, de uma proposta que visa fomentar junto a um grupo organizado de 30 jovens quilombolas um processo de comunicação colaborativo vinculado à tradição de diversidade e promoção da igualdade, equidade, a justiça social e produção de lugares de fala e discurso.

Ao promover tais espações de reflexão crítica nosso objetivo é aumentar a conscientização e construir vias de empoderamento social dos jovens quilombolas e dos sujeitos sociais que compõe o seu contexto social. Nesse sentido, os sujeitos, individualmente ou em grupos, constroem uma capacidade de gestão do seu “estar no mundo”. Trata-se de uma discussão ampla, que passa pela construção de uma compreensão mais madura e crítica das potencialidades, desafios e entraves da inserção e participação desses sujeitos na sociedade.

Não nos referimos apenas a um poder egoísta e autocentrado. O empoderamento mencionado na presente proposta se liga a um movimento mais amplo, no qual se propões construir uma tomada de consciência coletiva por jovens quilombolas minoritários e historicamente marginalizados num contexto de opressão social, simbólica e política.

Considerado o contexto que envolve a população jovem afrodescendente, no qual proliferam processos de exclusão, perceberemos que os chamados ciclos de pobreza ultrapassam o desenvolvimento humano de indivíduos, famílias e grupamentos sociais. Muitos são os desafios enfrentados pelos jovens quilombolas quando o assunto é o acesso ao mercado de trabalho, moradia e educação. Mais do que isso, a discriminação atinge um nível simbólico que atinge de maneira dramática “a prática de suas próprias culturas e religiões” (ONU, 2015). Assim sendo, a participação dos sujeitos na vida cultural das comunidades é desestimulada e, em casos não raros, cerceadas com violência.

Percebemos, assim, que o empoderamento simbólico e discursivo, através de ações afirmativas qualificadas e criativas, se faz estratégico e fundamental para que a população jovem e remanescente de quilombos se afirme diante de uma construção histórica de atos de violência, desumanização e exclusão.

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